"Influências" é um projecto do Mundo Perfeito que
envolve a montagem de duas novas criações, resultantes de um desafio lançado
aos jovens criadores José Nunes e John Romão. Cada uma das peças terá como
ponto de partida uma obra de arte que terá influenciado estes criadores, que
contarão com a colaboração de um artista mais experiente, cuja missão será
influenciar o processo de trabalho. O coreógrafo Rui Horta trabalhará com a
equipa de José Nunes e o músico/performer Nilo Gallego será o cúmplice de John
Romão.
Os espectáculos do projecto “Influências” resultam de uma co‐produção entre o Mundo Perfeito, a Galeria Zé dos Bois e O Espaço do Tempo.
WTF?
WTF?, espectáculo inserido no projecto “Influências”, é uma proposta de reflexão sobre o universo do artista plástico e pensador Marcel Duchamp. Com este espectáculo pretende-se fazer uma reflexão, em formato performativo, sobre o legado deixado por este artista que influenciou toda uma geração “pós-moderna”, deixando o seu rasto em várias correntes artísticas e também filosóficas.
Partindo não apenas da obra de Marcel Duchamp, mas também de todo o seu legado, procura-se, aqui, perceber onde, nos dias de hoje, podemos ver a presença dos seus conceitos e de que modo essa sua herança influenciou/influencia a criação artística contemporânea e de algum modo tentar “mapeá-la”.
Criação e Interpretação: Cátia Pinheiro e José Nunes Mentor: Rui Horta Vídeo: André Godinho Colaboração Consultiva: André Godinho , Emília Pinto de Almeida e Rogério Nuno Costa Assistência à Criação: Francisca Rodrigues Apoio Técnico: Victor Pinto Construção da parede: Luís Teixeira Produção Executiva: Mariana Sampaio Residências Artísticas: O Espaço do Tempo e a ACERT/TRIGO LIMPO Apoio às residências: GDA – Gestão dos Direitos dos Artistas Apoio: Fundação Calouste Gulbenkian, Luzeiro. Agradecimentos: Estrutura, Mala Voadora, Teatro Nacional D.Maria II, Útero.
21 A 26 DE SETEMBRO - NEGÓCIO, Lisboa (PT) Espectáculo
inserido no projecto Influências, co-produção entre o Mundo Perfeito,
Galeria Zé dos Bois e O Espaço do Tempo.
APOIOS:
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o arco da histeria
“(…) juste la reconstruction pourrais vraiment me désorienter à travers la démolition des constructions de ma mémoire” in Ville Panique (2004), Paul Virilio
Esta proposta cénica que agora apresento é uma resposta a um desafio que me foi feito pelo Tiago Rodrigues: a criação de um objecto performativo que tivesse como ponto de partida um objecto de arte já existente, convocando alguém de outra área (artística ou não) para me acompanhar neste desafio.
Para a equipa de criação convidei duas pessoas: o músico/performer espanhol Nilo Gallego e um atleta de ginástica de 13 anos de idade (Guilherme Moura). A vontade de trabalhar com um atleta de ginástica de competição poderia ser dissimulada por uma fotografia de João Penalva (recordo um grande plano de uma mão de um ginasta, em tensão, a segurar uma argola, em “The Prize Song”), o texto de Jean Genet “O Funâmbulo”, um vídeo de João Onofre (recordo um ginasta a fazer o pino num semáforo luminoso), as fotografias de Tracey Moffat que captam estados emocionais variados de atletas dos jogos olímpicos do ano 2000 ou uma fotografia de Ryan McGinley (recordo uma amiga sua a patinar no meio de uma fumarada), entre outras. Todas estas obras (e muitas mais) fazem parte da minha formação artística, com maior ou menor relevância. Mas não quero regressar a elas, quero esquecê-las, às obras de arte (e não tenho outra hipótese). E ao abrir um livro da escultora francesa Louise Bourgeois (1911-2010) encontrei uma peça sobre a qual me detive durante um pouco mais de tempo que o habitual, “O arco da histeria” (1993): uma escultura que mostra um corpo masculino em bronze, arqueado, suspenso pela zona do ventre, sem cabeça, e reproduzindo o arco histérico como teorizado pelo neurologista do século XIX Jean Martin Charcot. E mergulhei mais ainda sobre a sua obra autobiográfica iluminada pela líbido, ao ponto de apartar toda aquela documentação e começar a voltar-me para dentro e a olhar para mim.
Durante 3 semanas, em residência de criação n'O Espaço do Tempo (Montemor-o-Novo), reuníamo-nos os três (eu, o Nilo e o Guilherme) depois do almoço, num estúdio de trabalho com dimensões semelhantes às do Negócio e, sem falarmos muito uns dos outros, eu fazia propostas de gestos, de movimentos e de algumas imagens que costumo rabiscar, para irmos criando matéria que nos juntasse aos três, envoltos no mistério daquela escultura. Os materiais, como em todas as criações que vou fazendo, surgem por imposição própria: o chão aleija, conseguem-se colchões; estamos cansados e a transpirar, compram-se bebidas; uma acção que proponho não se consegue cumprir por ser difícil, tanto melhor, porque é nessa tensão entre o intérprete e a cena que o objecto performativo se começa a processar, por tentativas e falhas (algumas tão perfeitas), e as imagens se vão impondo e existindo, porque não há hipótese de evita-las, como as memórias do que se leu, se viu, se mordeu e se cuspiu até aqui. Há quem fale de L. Bourgeois como a fundadora da “confessional art”, como sendo a avó espiritual de Tracey Emin. A arte de Bourgeois, transporta em si a competitividade semelhante à do ginasta, aquela de um desempenho perfeito e de um reconhecimento público que prove a sua radicalidade.
Desde 2005 que convoco para as minhas criações de teatro indivíduos que pertencem a subgrupos socias, marginais ou artísticos: três prostitutos brasileiros (“Velocidade Máxima”), uma banda filarmónica local e um travesti (“Why can i be me”), três crianças de um coro infantil (“A Direcção do Sangue”) ou um jovem e belo actor conhecido do grande écran (“Só os idiotas querem ser radicais”). Em todas elas, o que está em causa é a reconfiguração da função e da imagem daqueles indivíduos, dentro de um contexto socio-cultural e político, proporcionando uma nova escuta sobre eles e confrontando o espectador com novas propostas do reconhecível. Aqui, em “O arco da histeria” quis, inicialmente, explorar o corpo masculino adolescente para pensar aspectos da emergência e da alteração da identidade, próprios das performances acrobáticas dos movimentos histéricos. Os nossos três corpos em cena, na sua diferença, levam-me a estudar a própria perda da inocência e o estado de desejo e autoridade que, em relação uns com os outros, juntos, eles outorgam. Este estágio do corpo representado por L. Bourgeois, com a cabeça cortada, ou melhor, sem cabeça (ela talvez nunca tenha existido), encarna o que Freud chamou de pulsão de morte: representa a dimensão daquilo que permanece vivo depois da morte. E isso é o que mais aprecio nas esculturas de objectos-parciais de Louise Bourgeois, pois tal como a própria escultora (recentemente falecida), elas ganham uma dimensão de uma imortalidade diabólica.
John Romão
Direcção: John Romão Com: John Romão, Nilo Gallego e Guilherme Moura Mentor: Nilo Gallego Apoio Técnico: Victor Pinto Produção Executiva: Mariana Sampaio Residência Artística: O Espaço do Tempo Apoio: Festival Citemor e Luzeiro Apoio à residência: GDA – Gestão dos Direitos dos Artistas
5 A 10 DE OUTUBRO - NEGÓCIO, Lisboa (PT)
Espectáculo inserido no projecto Influências, co-produção entre o Mundo Perfeito, Galeria Zé dos Bois e O Espaço do Tempo.
APOIOS:


